Dentre os atributos individuais que influenciam as relações que o indivíduo estabelece com os outros, com o trabalho e com a organização para o qual presta serviços, está o seu sistema de valores.
Entendidos como convicções que possuímos e acreditamos, constituírem-se verdades absolutas, os valores, segundo Schermerhorn (1999), são “preferências gerais relativas a ações e resultados apropriados. Refletem o senso de certo e errado, ou o que” deve ser”, da pessoa”.
Resultantes do processo de aprendizagem e experiência adquirida, são constituídos por influência das relações parentais e socialização, da cultura e ideologia dominantes, das condições econômicas e sociopolíticas de determinado momento histórico e são continuamente reforçados. Por esta razão, diferem de pessoa para pessoa e tendem a ser estáveis e duradouros, ou seja, somente são questionados diante da angustia gerada por conflitos e acontecimentos muito intensos, sofrendo mudanças frente a um trabalho aprofundado de autoconhecimento, normalmente, lento e gradual. Segundo Robbins (1999) “o processo de questionar nossos valores, é claro, pode resultar em mudança. Podemos decidir que essas convicções subjacentes já não são mais aceitáveis. Mais freqüentemente, nosso questionamento meramente age para reforçar os valores que temos”.
Servindo de base para a motivação, as atitudes, comportamentos, julgamentos, decisões e escolhas, influenciam sobremaneira a percepção, a interpretação acerca da realidade circundante e a ação decorrente. Diante de uma situação, lançamos mão do nosso sistema de valores e agimos de modo congruente a ele. Assim como, se nos depararmos com algo incongruente ou dissonante a este sistema, somos acometidos por uma sensação de estranheza, mal estar e insatisfação que geram sentimentos de frustração e ressentimento. Por isso, a perenidade de um relacionamento se dá quando ambas as partes tenham ou priorizem valores semelhantes. No mundo do trabalho, não é diferente.
A sustentabilidade de um contrato acontece quando indivíduo e organização priorizam ou compartilham os mesmos valores. Portanto, é fundamental que tenhamos a clareza dos valores que priorizamos e norteiam nossas atitudes e motivações para procedermos a escolhas compatíveis.
Existem inúmeras classificações de tipos de valores, mas a proposta pelo psicólogo Milton Rokeach (Rokeach Value Survey – RVS) é a mais freqüentemente utilizada. O estudioso categorizou os valores em dois conjuntos de 18 valores individuais, que Robbins (1999) apresenta da seguinte forma:
Valores Terminais: relacionam-se as metas pessoais e refletem preferências acerca dos “fins” a serem atingidos pelo individuo no decorrer da vida. São eles:
- Uma vida confortável
- Uma vida excitante
- Um sentido de realização (contribuição duradoura)
- Um mundo em paz
- Um mundo de beleza
- Igualdade (fraternidade e oportunidades iguais a todos)
- Segurança familiar
- Liberdade
- Felicidade (contentamento)
- Harmonia interior
- Amor maduro (intimidade sexual e espiritual)
- Segurança nacional
- Prazer (uma vida agradável e lazer)
- Salvação (vida eterna)
- Auto-respeito (auto-estima)
- Reconhecimento social (respeito e admiração)
- Amizade verdadeira (companheirismo)
- Sabedoria (um entendimento maduro da vida)
Valores Instrumentais: relaciona-se aos meios para se alcançar às metas pessoais ou comportamentos preferíveis de atingir os valores terminais. São eles:
- Ambição
- Liberalidade (mente aberta)
- Capacidade (competência e eficácia)
- Animação (despreocupação e alegria)
- Limpeza (ordem)
- Coragem (defesa de suas crenças)
- Clemência (desejo de perdoar outros)
- Prestatividade (auxilio aos demais)
- Honestidade (sinceridade e verdade)
- Imaginação (ousadia e criatividade)
- Independência (autoconfiança e auto-suficiência)
- Intelectualidade (inteligência e reflexão)
- Lógica (coerência e racionalidade)
- Afetividade (amorosidade)
- Obediência (consciência e respeito)
- Educação (cortesia e boas maneiras)
- Responsabilidade (confiabilidade)
- Autocontrole (disciplina e contenção)
Neste sentido, considerando os dois grupos, quais os valores que você prioriza? Respondendo a esta pergunta, sem efetuar julgamentos do tipo certo ou errado, é meio caminho andado para o sucesso de suas escolhas, seja na vida pessoal ou em sua carreira.
Maria Lúcia Simas Paulino
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Consultora em Comportamento Organizacional e Professora do INPG. Atua com Avaliação de Competências, Aconselhamento de Carreira e Coaching na MCR Consultores Associados, onde é uma das sócias.
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