Há uma pergunta que ronda grande parte das empresas e martela a inteligência dos habitantes do mundo corporativo, em intensidade proporcional ao nível do conhecimento sobre o assunto: o que é e como fazer para ser e permanecer socialmente responsável? Fóruns, debates, seminários e reuniões são cada vez mais comuns entre os que carregam a bandeira da sustentabilidade nas organizações, e também pelos simpatizantes da idéia de usar o poder e a estrutura das grandes corporações com o objetivo de iniciar um processo de melhoria na sociedade e da preservação dos recursos naturais.
Diferentemente do que muitos pensam, o conteúdo necessário para o desenvolvimento de programas de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) passa por um raciocínio que, antes de ser coletivo, deve ser individual. Não é possível olhar para o todo sem antes olhar para dentro de nossas casas. Para se criar processos sustentáveis e que tenham uma interferência positiva em nossa sociedade, é preciso que estes indivíduos estejam cientes de seus direitos e de suas responsabilidades enquanto cidadãos e profissionais.
Infelizmente no Brasil temos exemplos diários de como indivíduos carentes de valores éticos, morais e sociais se aproveitam de cargos e privilégios para praticar a Irresponsabilidade Social. Vestem chapéus tanto públicos como privados e não pensam sobre a situação insustentável que estão criando para seus descendentes. Constroem palácios de ouro sob um alicerce de areia com vista para um mar de lama. O que parece ser um império é uma estrutura debilitada que depende de esquemas obscuros a da conivência de muitos. Estes impérios acabam, mais cedo ou mais tarde, ruindo e prejudicando não só a própria família, mas todos a sua volta. É o velho ditado: um dia a casa cai!
Por mais piegas que possa parecer, o segredo de uma sociedade verdadeiramente preocupada com o futuro das gerações que estão por vir, se traduz em apenas uma palavra: patriotismo. O descontentamento e desânimo que muitos de nós sentimos neste momento histórico pelo qual passa o país é na verdade, uma grande desilusão amorosa com a nossa pátria. O que o cidadão brasileiro precisa mesmo é de cidadania - e não de ser levado a achar que o bom do Brasil é mesmo o estrangeiro. A Responsabilidade Social Corporativa pode então constituir, antes de qualquer outra coisa, a salvação de milhões de brasileiros que não estão e nunca farão parte do seleto mundo corporativo.
O resgate da dignidade, autoconfiança, moral e cidadania destas pessoas, depende de ações não - governamentais e está nas mãos daqueles que se propõem a fazê-las. A própria moralização de nosso falho sistema administrativo e público pode resultar de exemplos e programas criados e geridos pela iniciativa privada e do terceiro setor. Os recursos intelectuais e financeiros já existem para que os primeiros passos sejam dados, mas continuaremos engatinhando por um longo tempo ainda, caso a principal pergunta não seja assimilada e respondida por cada um de nós: o que devo fazer para que o futuro de minha família seja sustentável?
Julio Bin
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Bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie em São Paulo e PGC em Marketing pela Westminster University de Londres - é professor do INPG e sócio-diretor da Gecko (www.gecko.com.br).
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