
Poucas vezes na história da humanidade, e na nossa própria cronologia pessoal, tem-se convivido com tantas possibilidades simultâneas no uso da tecnologia, especialmente a tecnologia da informação (TI) para a mudança de hábitos e cultura. Escolher o que usar, para que e como, tornam-se as questões mais intrigantes.
As empresas que usam ou cogitam do uso de TI para ganho de competitividade, tem se defrontado com enormes desafios para entender, justificar e antecipar quais os movimentos que deverão ser feitos e estabelecer os níveis de retorno adequado. Torna-se essencial separar os modismos das tendências efetivas em TI para a verdadeira criação e captura de valor.
As empresas mais competentes - e que obtém sucesso através do uso adequado de TI - são aquelas que definem a priori qual seu negócio essencial, - ou seja, o que fazemos é suficientemente atrativo para garantir que alguém comprará nossos produtos/serviços e pagará por eles um valor incremental aos nossos custos, de forma permanente, tendo como alternativas produtos/serviços dos nossos concorrentes e substitutos.Tendo-se essa definição, deriva-se a importância dos elementos necessários para a construção do valor pretendido, incluindo-se o papel de TI.
Essas empresas, entendem claramente que o uso adequado de TI tem necessariamente que atender três dimensões estratégicas possíveis, alinhadas aos seus recursos, capacidades e que respondam às mudanças nos seus mercados. Essas dimensões são: (a) Foco em Produtos/Serviços Atuais através de Novos Modelos Operacionais – Transformação dos Negócios; (b) Foco em Novos Produtos/Serviços através do Modelo Operacional Existente - Liderança por Produtos; e (c) Foco em Novos Produtos/Serviços através de Novos Modelos Operacionais - Reengenharia.
A opção por cada uma dessas dimensões estratégicas, estabelece o modelo e a amplitude do uso de TI. A decisão irá definir como conseqüência, por exemplo, os parâmetros para maior ou menor grau de automação dos processos de atendimento dos clientes, integração com os sistemas internos existentes, grau de interação, integração e conectividade com parceiros de negócio sejam eles compradores e/ou fornecedores, etc..
Mas antes disso ainda, e como condição básica, o desenho do modelo de competitividade adequado a cada empresa deve passar pela pergunta da essencialidade e progressividade do uso de TI, já que o compromisso com uma determinada tecnologia irá se manter ao longo do tempo. Embora com esse tempo diminuído como resultado da redução substancial dos preços de mercado dos componentes básicos de TI (máquinas, programas e conectividade), ainda assim, o compromisso com uma dada tecnologia é muito mais um casamento do que um flerte, já que mudanças futuras em processos de negócio terão que sofrer adequação à tecnologia existente. Não é possível provar, do ponto-de-vista econômico-financeiro, que na prática novos processos sejam tão eficientes que possam amortizar, total e rapidamente, os investimentos passados em TI e muito menos a sua cultura de uso. Por melhor que sejam concebidos, projetos de reengenharia lutam necessariamente contra o status atual, sejam eles “ilhas de poder” ou sistemas legados de TI.
Num mundo inevitavelmente cada vez mais conectado, as empresas terão que colaborar entre si, menos por vontade própria mas como fator de sobrevivência e/ou imposição competitiva. É num ambiente de grande volatilidade que a visão de TI como elemento habilitador de estratégias deve ser colocado como um dos desafios mais importantes na agenda estratégica das empresas, sejam elas de qualquer tamanho e escopo de atuação.
Roberto Rooney Zabeu
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Professor do INPG e diretor MetaStrategy joinville@inpgeducacional.com.br
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