O currículo é um documento que pode gerar boas oportunidades de contato com as empresas ou, simplesmente, fechar essas portas para aqueles candidatos que não sabem como apresentar, de forma adequada, as informações a respeito de sua trajetória profissional.
Um currículo bem elaborado é um passo importante na conquista de uma entrevista ou de uma oportunidade a mais em direção à vaga disputada. Mas, afinal, o que o currículo diz a seu respeito, na visão dos selecionadores de Talentos Humanos?
Vejamos alguns aspectos que chamam a atenção na análise desse documento:
Um currículo clean, com uma diagramação bem feita, com a utilização de um tipo padronizado de letra, sem negritos e sublinhados em exagero, passa a impressão de que seu dono é uma pessoa organizada, que se preocupa em entregar um trabalho bem feito, bem apresentado.
A utilização de, no máximo, duas páginas para descrever suas características e experiências profissionais pode ser interpretada como capacidade de ser objetivo e sintético na apresentação das informações.
É importante lembrar que um currículo com erros de português pode ser facilmente descartado, pois, por mais qualificado que seja o candidato, problemas com ortografia subtraem a credibilidade das informações apresentadas.
Uma das primeiras informações que deve ser oferecida pelo currículo refere-se ao objetivo profissional buscado . A ausência deste campo, ou ainda, um objetivo mal formulado, passa a impressão de que não há um foco específico do candidato, em relação à sua atuação. Para aqueles que acreditam que devem deixar que a empresa escolha a melhor forma de aproveitar seu perfil/ talento, fica aqui a sugestão de que isto não é bem visto pelos selecionadores, pois alguém que não se responsabiliza por suas conquistas profissionais, que não tem uma expectativa definida em relação ao seu trabalho, pode ter dificuldades em firmar vínculos mais fortes com a organização.
Com relação ao tempo de permanência numa determinada empresa, não há uma regra única. Há aqueles que vivem mudando de emprego, que chegam a passar somente alguns meses numa empresa e, na seqüência, já estão partindo para outra. Dependendo da freqüência com que isso acontece e dos motivos que levam o profissional a realizar estas migrações, seu comportamento pode ser considerado como de uma pessoa instável, com dificuldades de assumir compromissos mais longos. Este candidato pode vir a ser descartado, pela possibilidade de também não querer passar muito tempo na nova empresa. Mas vale lembrar que isso é relativo.
Há também aqueles que permanecem por muitos anos na mesma instituição. Alguns podem se perguntar se isto passa uma impressão de acomodação. Bem, este caso também é relativo. Vai depender de como a pessoa conduziu suas conquistas dentro da empresa durante o período em que lá esteve. Se ficar evidente que a pessoa se preocupou em traçar uma trajetória ascendente, que apresenta várias conquistas e resultados interessantes dentro de sua área de atuação, então isto pode ser interpretado de uma forma bastante salutar, uma vez que a pessoa não estava acomodada e sim aproveitando os desafios que lhe foram apresentados.
No campo de qualificações pessoais, é fundamental ser honesto, sincero e não inventar conhecimentos e habilidades que não possua. É primordial que alguns resultados conquistados pelo profissional em seu campo de trabalho sejam relatados aqui. As habilidades registradas devem estar em sintonia com o objetivo pretendido, para que haja coerência e harmonia nesta comunicação realizada através do currículo.
Lembre-se de que o currículo é um documento. Portanto, a linguagem utilizada deve ser formal. Sendo assim, jamais escreva na primeira pessoa do singular.
Estes são alguns dos aspectos que podem ajudar alguém na hora de ser escolhido, ou pode dificultar bastante a conquista da vaga de trabalho almejada.
Janete Teixeira Dias
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É docente do Instituto Nacional de Pós-Graduação - INPG nas disciplinas de Planejamento de Carreira, Gestão de Pessoas, Liderança e Motivação, dentre outras. Coordenadora da área de Gestão de Carreiras da FIAP - Faculdade de Informática e Administração Paulista e da Faculdade Módulo, realizando processo de Coaching com alunos e ex-alunos destas instituições (graduação e pós-graduação). É psicóloga, administradora, mestre em Psicologia Social, pela PUC/SP, psicodramatista didata, possui formação em promoção de saúde e qualidade de vida no ambiente de trabalho, pela American University/CPH, especialista em Psicologia Organizacional do Trabalho, pelo CRP/SP, consultora na área de Gestão de Pessoas.
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