3 de dezembro de 2011

Os bons exemplos

Os bons exemplos

Talvez tenha passado despercebido por alguns o pronunciamento do governo americano sobre as exportações do país.  O NEI (National Export Initiative – Iniciativa Nacional de Exportação) foi detalhado no início de Setembro.  O objetivo é ambicioso:  dobrar as vendas internacionais dos EUA no período de 5 anos.  É uma das formas encontradas pelo governo para ajudar o país a sair da crise em que se meteu.  Interessante observar a atenção dadas às exportações.   Vamos observar o que diz o documento: “Exportar é bom para os negócios americanos, bom para os trabalhadores americanos e bom para os empregos americanos”.   Isso vindo de um país onde o mercado interno tem um peso inegável na economia.  E o texto prossegue:  “As exportações precisam crescer de US$ 1.57 trilhão em 2009 para US$ 3.14 trilhões em 2015.  Isso somente irá acontecer se as corporações americanas, fazendeiros e pequenas e médias empresas – os motores do crescimento econômico – receberem o encorajamento e suporte que necessitam para prospectar novos mercados para seus produtos e serviços”.    Notem alguns pontos interessantes:  existe uma meta clara e um prazo definido; os responsáveis são citados e é mencionado o que deve ser feito. A expressão ‘motores do crescimento econômico’ coloca a atividade exportadora no centro da discussão.´Sabemos que a balança comercial norte americana é tradicionalmente deficitária.  Muitos não entendem o porquê disso.  Por que o país compra muito mais do que vende?  Sim.  E também porque vende menos do que compra?  Também está correto.  E tem mais uma terceira possibilidade que se combina às duas anteriores: há mais gente lá fora vendendo muito e disputando clientes com os americanos.   Tudo isso junto revela um comportamento curioso.  Em 1948, logo após a Segunda Guerra, os EUA tinham impressionantes 22% das exportações mundiais em suas mãos. No início da década de 60 esse total já tinha recuado para 15%.  Por quase duas décadas – entre os 70 e final dos 90 – o país conseguiu se segurar em torno de 12% das vendas mundiais.  Atualmente os produtos americanos representam somente 8% das exportações globais.  A questão do déficit comercial também não é nova.  A última vez que o país registrou um superávit na sua balança comercial foi em 1975. De volta ao NEI, outro ponto muito interessante é onde crescer.  O documento diz: “Avançar sobre mercados de rápido crescimento é crucial para colocar a economia norte americana de volta a uma base sólida”.  Naturalmente estamos falando dos novos emergentes como Brasil, China, Índia, Rússia, México, África do Sul, Turquia e muitos outros.  Eu diria que o Brasil tem espaço privilegiado nessa lista.  Imaginem isso:  além do já conhecido ataque chinês, a infantaria americana desembarcando com força total.  Empresas brasileiras que se cuidem.Um aspecto interessante que transparece no NEI é certa mea culpa.  Não há problema em reconhecer que nem tudo está perfeito e ajustes devem ser feitos com urgência.  Vejam esse trecho: “95% dos consumidores mundiais estão fora dos EUA; nós os ignoramos por nossa conta e risco.  Não podemos retornar a uma economia que é direcionada pelo endividamento e pelo consumo.  Para manter um crescimento robusto o mundo deverá depender menos do consumo norte americano – e nós devemos vender mais ao resto do mundo.”É para pensar. E agir.  O Brasil parece ignorar o que vem se desenhando ao longo dos últimos anos.  O que acontece com os EUA – e está mais do que claro no NEI – deveria servir de alerta ao nosso país.  Volto no mês que vem com mais tópicos interessantes retirados dessa iniciativa.
Sergio Pereira  - Internacionalista, Professor da Fundação Instituto de Administração (FIA-SP). Especialista em Comércio Internacional.  Sócio da Ankon Educação Executiva Internacional. 

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