15 de janeiro de 2008

Mudou o perfil ideal de profissional. Mudou?

Mudou o perfil ideal de profissional. Mudou?

Há um novo perfil desejado pelas empresas para a contratação de profissionais para seus quadros. Este perfil prevê um profissional:

_ Maduro, idade superior aos 45, pois não há mais tempo para tentar soluções novas e criativas que poderão levar a empresa a erros. Não haveria tempo de consertá-los, pois o concorrido mercado faria dessa empresa uma “carta fora do baralho”. Assim melhor é ter um profissional que já tenha passado por situações de pressão e estresse e tenha um bom “background” a suportar suas decisões.
Esta tendência iria ao encontro de citação atribuída a Sartre segundo o qual “muitos jovens rejeitam hoje idéias que terão daqui há 20 anos”;

_ Profissionais de estilo “workaholic” seriam preteridos ante aqueles que reservam tempo para seus momentos familiares que, segundo esta visão, trarão ao profissional o equilíbrio necessário para suportar a carga de trabalho;

_ Seres humanos que tenham a consciência de seu valor na sociedade e que dediquem seu tempo livre a atividades ditas de “responsabilidade social”. Atividades como a participação em projetos sociais dirigindo ONGs de apoio e valorização da vida e saúde humana. Estão inclusas nesse conceito aquelas que buscam melhor qualidade de vida dentro deste nosso planeta.
Qualquer um de nós mortais poderá chegar a esta conclusão se passarmos os olhos nos artigos publicados pela imprensa, genérica ou especializada.

A questão é: será mesmo que o perfil mudou? Estas matérias não estariam mais para posicionamento (como as empresas gostariam de ser vistas) do que para imagem (como são percebidas por seu público interno)?

De maneira geral lembro de ter tido contato com profissionais de uma megaempresa logo após a publicação de uma dessas matérias que enaltecem a política interna em relação a seus colaboradores. Riam muito e questionavam de que empresa a matéria tratava, pois não era a que conheciam.

Claro o ano de 2001 foi o ano do voluntariado e assim muitas empresas se viram compelidas a apoiar ações nessa linha. Mas haverá consistência? Ou voltarão a privilegiar aqueles profissionais que possam garantir dedicação exclusiva e diuturna à atividade de executivo de seus quadros? O que dizer do “envelhecimento” da seleção?

O professor Renato Guimarães Ferreira (Recursos Humanos da FGV), em recente publicação, relata estudo em que evidencia a disputa por tempo do estudante entre a universidade e o trabalho profissional. Relata que as empresas estão chegando cada vez mais cedo nas carreiras desses estudantes que no passado somente iam ao mercado após formados e hoje, estão estagiando já no segundo ano da graduação.
Há uma conclusão interessante do estudo segundo o qual 44% dos estudantes trabalham 30 horas ou mais por semana em estágios que teoricamente deveriam ser de 20 horas semanais.
Aqui cabe uma questão que proponho aos pacientes leitores:quem de nós trabalha apenas as tais 40 horas semanais? Intuo que poucos, muito poucos.
A estes jovens que o professor Ferreira estudou e aos demais que estão nesta fase de início de carreira vai mais uma frase, esta atribuída a Shakespeare, e que serve de aviso a eles:

“Eu aprendi que todos querem viver no topo da montanha,
mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você a está escalando”.

 

Deixe seu comentário!