As definições de design encontradas na literatura abordam, geralmente, três questões relacionadas ao produto: forma, função e processo produtivo. É nestas definições que as escolas de design baseiam seus cursos. Conseqüentemente os profissionais que atuam hoje no mercado seguem este mesmo direcionamento, atuando no desenvolvimento de produtos através da interferência na forma, na função e no processo produtivo.
Conceitos como ecodesign ou green design (design verde) foram criados para caracterizar a preocupação sócio-ambiental no desenvolvimento de produtos. O papel do designer expande-se, pois seu foco de trabalho deixa de ser o produto e passa a ser o sistema-produto, ou seja, o conjunto integrado de produto, serviço e comunicação com que as empresas se apresentam. Desta forma, todas as atividades necessárias para produzir, distribuir, utilizar e eliminar o produto, bem como os impactos sócio-ambientais oriundos destas atividades, são analisados e considerados no desenvolvimento do sistema-produto.
O desenvolvimento de produtos sustentáveis requer o uso de tecnologias e fontes de energia limpas, porém de nada adianta este processo se não houver quem compre estes produtos. Ou seja, para que todo o processo de transformação aconteça, necessita-se de uma reorientação de comportamentos sociais, que motivem a existência destes produtos, o chamado consumo limpo. Nesse aspecto, propor soluções que apresentem uma alta qualidade ambiental não pode prescindir do quanto e como elas sejam social e culturalmente aceitáveis.
Após estas considerações, o conceito de ecodesign pode ser ampliado, caracterizando a atividade projetual que, unindo o tecnicamente possível com o ecologicamente necessário, faz nascer propostas que sejam social e culturalmente apreciáveis.
Para que a atuação do designer segundo estes princípios seja viabilizada, os professores da Politécnica de Milão, Ezio Manzini e Carlo Vezzoli apresentam uma escala, constituída de 4 níveis fundamentais:
4º Proposta de novos cenários que correspondam ao estilo de vida sustentável
3º Projeto de novos produtos-serviços intrinsecamente sustentáveis
2º Projetos de novos produtos ou serviços que substituam os atuais
1º Redesign ambiental de produtos existentes
No primeiro nível são feitas interferências em produtos existentes, de modo a melhorar a sua eficiência em termos de consumo de matéria prima e energia, além de facilitar a reciclagem e a reutilização de seus componentes. É neste nível que se encontram a maioria dos produtos ecologicamente corretos que conhecemos hoje.
No segundo nível são criados novos produtos e serviços ecologicamente mais favoráveis e reconhecidos como válidos e socialmente aceitos. A dificuldade em se passar para este nível está presente no quadro cultural e comportamental que continua dominado por expectativas e valores diferentes. Um bom exemplo são os automóveis elétricos que estão em desenvolvimento em vários países. Eles possuem características ecológicas altamente desejáveis para qualquer automóvel, porém não oferecem a mesma potência e velocidade dos automóveis convencionais.
No terceiro nível temos produtos e serviços completamente inovadores, que além de possuírem características radicalmente favoráveis ao meio ambiente, também sejam socialmente apreciáveis a ponto de superar a inércia cultural e comportamental dos consumidores.
No quarto nível são desenvolvidas atividades no plano cultural que promovam novos critérios de qualidade e, conseqüentemente, novas expectativas de resultados. Neste caso, não se trata somente de aplicar novas possibilidades tecnológicas ou produtivas, mas de promover novos critérios de qualidade que sejam ao mesmo tempo sustentáveis para o ambiente, socialmente aceitáveis e culturalmente atraentes.
O quadro atual nos mostra que ainda estamos no primeiro nível e que falta muito para chegarmos ao quarto. Entretanto, a divulgação ampla dos problemas relacionados ao meio ambiente e as iniciativas de algumas empresas em melhorar do ponto de vista ambiental, ainda que reduzidas, são de grande importância para a conscientização das pessoas. O fato de sabermos que temos que modificar nosso comportamento já é uma iniciativa, ainda que ínfima. Porém mais importante é lembrarmos de ensinar à nossas crianças a preservar e economizar os recursos atuais, permitindo que as novas idéias que virão sejam aceitas com maior facilidade.
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