14 de outubro de 2008

Expansão Econômica no Segundo Trimestre de 2008

Expansão Econômica no Segundo Trimestre de 2008

Investimento é o valor da parte do produto da economia, para qualquer período de tempo, não destinada ao consumo, ou aquela parte do produto da economia que toma a forma de novas estruturas, novo equipamento durável de produção e variação nos estoques. De forma resumida podemos definir o investimento como o acréscimo ao capital real da sociedade. Tal como a poupança, o investimento resulta de uma abstenção do consumo imediato em relação à renda gerada no período.

A demanda por investimentos é influenciada por um conjunto de elementos tais como as expectativas empresariais e a taxa de juros. As decisões de investimentos por parte dos empresários são tomadas em função das expectativas que eles têm em relação ao futuro da economia. Por outro lado, a taxa de juros é outro elemento condicionante da decisão de investir por parte do empresário, uma vez que ele só investirá em um bem de capital se o rendimento esperado desse investimento for maior que as taxas de juros de mercado.  

As estatísticas apresentadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao longo desta semana, mostram que os investimentos atingiram, no segundo trimestre deste ano, 18,7% do Produto Interno Bruto (PIB), a maior taxa de crescimento desde 2000, mas ainda abaixo da média mundial que está em torno de 21%. Ainda muito distante de países como a China ou Coréia do Sul onde a formação bruta de capital fixo atinge patamares superiores a 30% do PIB.

Estes dados apresentados pelo governo podem parecer uma boa notícia dentro do cenário conturbado que o mundo tem vivido nos últimos meses, dando inclusive a impressão que esse crescimento vem ocorrendo de forma sustentada. Analisando-se detalhadamente os dados, percebe-se que esse aumento no volume de investimentos está, de alguma forma, concentrado em uma combinação de vendas de máquinas e equipamentos pela indústria nacional com a importação de bens de capital, e pelo ritmo acelerado de crescimento da indústria da construção civil.

De qualquer maneira, este volume de investimentos acaba contribuindo para o crescimento da economia. Se considerarmos que o chamado multiplicador da economia brasileira esteja em torno de 4,34 (com base nos dados de renda e consumo no período de 2000 a 2007), pode-se concluir que cada R$1 investido está fazendo com que a renda da sociedade brasileira cresça R$4,34. Nesta linha de raciocínio, este crescimento da renda equivale ao crescimento do PIB, ou seja, os investimentos foram responsáveis por pouco mais de 70% no crescimento de 6,1% do PIB no segundo semestre deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado.

E são os investimentos que absorvem os recursos produtivos disponíveis da economia, tais como a capacidade empresarial, capital, mão-de-obra e recursos naturais, e também são responsáveis pelo aumento da capacidade de gerar renda na economia. Entretanto, existe um senão: é sabido que, para que uma economia possa realizar investimentos, há a necessidade de que haja poupança (das famílias e do governo). Nesse sentido, os dados relativos à taxa de poupança bruta (poupança/PIB) nos últimos quatro anos têm apresentado uma queda, estando hoje no patamar de 17,9%. Quem é que está financiando o investimento e conseqüentemente o crescimento de nossa economia?

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