Estamos assistindo uma verdadeira transformação nas relações humanas, provocada principalmente pelos paradoxos e pelas virtudes desta geração de jovens que começam a dominar a sociedade.O mundo está ficando menor e cada vez mais diferente.Segundo uma pesquisa recente, 78% dos jovens Ys sentem-se totalmente confortáveis trabalhando com pessoas de qualquer lugar do mundo, sem problemas ou dificuldades com a língua ou a origem étnica.Outra pesquisa comprova que pessoas de diversas idades estão adotando comportamentos e posturas diretamente atribuídas aos jovens da geração Y. Todos querem estar conectados e ser multi-tarefas. Candidatos a emprego procuram empresas com processos e horários mais flexíveis, onde possam conciliar suas vidas profissionais e pessoais.Todos se consideram jovens, independente da idade ou geração. E sendo assim, todos se sentem isentos da responsabilidade de formação de sucessores.Completando este cenário, diariamente são publicados artigos que recebem títulos com palavras como “infiéis”, “insubordinados” e “impacientes” além de pesquisas mercadológicas que estabelecem padrões de comparação dos comportamentos desta nova geração, sem considerar que os modelos de juventude, utilizados para construir estas pesquisas, estão ultrapassados e já não conseguem refletir a realidade. Os jovens de hoje são rotulados como “arrogantes e ansiosos, mas talentosos e rebeldes”.Alguns céticos argumentam que não há nada de novo, que os jovens sempre foram assim e que toda esta discussão é apenas mais um tema de moda corporativa. Outros argumentam que esta geração foi muito mimada e que ouviu poucos “nãos” na vida, por isso agora precisam ter um choque de realidade.Neste cenário dinâmico, tudo ocorre com uma superficialidade inquietante, e assim, encontramos muitos jovens talentosos, absolutamente desfocados e perdidos diante de tantas possibilidades de escolhas. Todos sufocados pela intensa cobrança por resultados e sucesso contínuos, adiando suas escolhas e tentando se manter distantes do mundo real, contentando-se em ocupar suas vidas com atividades virtuais, principalmente nas redes sociais.Muito se fala sobre a capacidade da Geração Y absorver novos conhecimentos e da grande intimidade que possuem com as novas tecnologias, contudo pouco se discute sobre a necessidade de prepará-los para seu futuro papel de líderes.Os lideres de hoje, desenvolveram-se com a missão de otimizar todos os recursos disponíveis, afinal eram sempre muito escassos e alcançados com muitas dificuldades. A frase que caracteriza a atual geração de lideres é: “tome decisões rápidas avaliando sempre o custo e benefício”.O maior legado destas circunstâncias, foi o surgimento de um mundo com muito mais abundância e muitas facilidades, principalmente as promovidas pelos avanços tecnológicos. Certamente existem ainda, muitas desigualdades e injustiças na distribuição destes avanços, contudo é inegável que o mundo se transforma a cada dia.Lamentavelmente a liderança, ou melhor, os lideres que promoveram todos estes avanços não estão acompanhando o ritmo destas mudanças.O exercício da liderança não é uma informação que está no Google, por isso, não dá para ser copiada e colada na cabeça dos jovens. Ela precisa ser desenvolvida com muita paciência, disciplina, confiança e coragem. Contudo, enquanto mantemos a condição de jovens eternos, tiramos a oportunidade da geração Y assumir as suas escolhas, e assim desenvolver os valores sustentáveis na formação da liderança do futuro.Devemos abandonar a condição de lideres com foco em resultados e assumir, cada vez mais, a condição de “líderes-educadores” com foco na formação de novos lideres. Os resultados serão responsabilidade das novas gerações, começando pela geração Y.Se não tomarmos consciência desta realidade e mantivermos a atitude omissa, no futuro, teremos apenas uma pergunta para responder: Onde está aquela talentosa Geração Y ?
Artigo do prof. Sidnei de Oliveira
Onde está a talentosa Geração Y?
Deixe seu comentário!