12 de agosto de 2010

Sobrevivendo à Grande Recessão

Sobrevivendo à Grande Recessão

Economistas dos EUA e da Europa chamam a crise atual que ainda abala as economias dessas regiões à Grande Recessão, lembrando a Grande Depressão da década de 1930. Num período de uma semana só em julho de 2010, o Presidente de Fed, Ben Bernanke, avisou o Congresso Americano que a recessão pode durar muito anos; o governo americano avisou o público que mais de dez por cento das hipotecas residenciais estão inadimplentes; e o site the Daily Beast publicou um manifesto de economistas americanos, desafiando aquele país a fazer um “reboot” econômico.
O que foi uma “marolinha” no Brasil continua nos EUA e Europa uma crise grave dois anos depois do inicio da recessão nos meados de 2008. Desemprego está em níveis insatisfatório. Nos EUA, 14,6 milhões de pessoas (9,5% da força de trabalho) ficaram desempregados em junho de 2010.
Desses, um pouco menos de metade estão desempregados por seis meses ou mais. Na Europa, a situação é parecida. Na zona de Euro, a taxa de desemprego em maio deste ano foi 10,0% e na Espanha, alcançou 19,9% da força de trabalho.
O primeiro mundo inteiro em 2009 iniciou programas para estimular as economias. Esses programas envolveram apoio para os desempregados, assistência para as indústrias na esperança que elas iriam chamar de volta um grande número dos funcionários demitidos. Também, os programas tentaram estimular a expansão de crédito para as indústrias e para consumidores. Esses programas seguem o conselho de John Maynard Keynes, cujas observações sobre as causas e as soluções da Grande Depressão, formam o padrão para a solução das crises econômicas.
Entretanto, em 2010, muito desses países estão ameaçando abandonar os programas de estímulo e focar na política pública de redução da dívida e de déficit. Sim, os déficits são enormes. O governo americano estima que em 2010, o déficit ficará em volta de $1.5 trilhões de dólares. Os republicanos não querem aceitar a obrigação de pagar o custo da recuperação econômica com impostos novos. Este sentimento se espalhou nos países de Europa Ocidental e foi visto na resposta a crise grega e nas análises sobre os países “PIIGS” em abril e maio.
Os economistas de “Reboot America” constataram que o foco na redução de déficits orçamentários não é sábio porque não trata o problema causativo, o déficit de demanda. Eles alertam que este é o mesmo erro que Presidente Roosevelt cometeu em 1936 quando ele mudou o foco de política pública de estímulo para controle de déficit. Como resultado, a Grande Depressão continuou por mais cinco anos, até que os EUA entrou na Segunda Guerra Mundial.
Por que nós em Brasil devemos ficar atento a esses assuntos? Por causa das políticas do Banco Central, o Brasil não entrou profundamente na crise de 2008. Sofremos uma recessão, mas foi de curta duração e leve. Esta Grande Recessão está diminuindo a demanda em nossos mercados mais importantes, os EUA e Europa Ocidental. Ela vai fazer continuar a redução na exportação de bens e produtos industrializados. Agora, as exportações do Brasil estão cada vez mais focadas em exportação de minerais e produtos alimentícios.
Crescimento econômico saudável no Brasil dependerá no futuro da transformação da economia a uma de serviços e tecnologia. Sem demandas vindas da Europa e dos EUA, isso não seria possível. Assim, nós não teríamos a capacidade de investir em nosso sistema de educação para levar ele para um padrão que fará o país finalmente competitivo de longo prazo através um espectro abrangente das tecnologias, dos produtos e dos serviços.
Aqui, nós precisamos torcer que os governos ocidentais acham a coragem de ficar firme com as políticas sugeridas por Keynes. Cortar o estimulo neste momento é como parar de tomar antibióticos antes de completar todo o tratamento. Não produz o resultado desejado.

James Hunter é Professor de Empreendedorismo e Métodos Quantitativos e vice-presidente do conselho do Acadêmico da Escola Brasileira, bem como consultor e autor em temas econômicos e políticos.

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