Esta antiga expressão costumava significar um ótimo negócio. Gravado nas mentes dos brasileiros de forma tão intensa que virou um mito e este mito pode estar levando muitas pessoas a se equivocarem sobre os negócios com a China. Algum de nós sabe ou entende a estratégia da China? Qual é o planejamento estratégico que o país traçou para si mesmo em relaçãoao restodo mundo? Não acredito que estejamos atentos ao quadro macro das movimentações que a China vem implementando nos últimos dez anos. De uma economia fechada e obscura, como se fosse uma grande empresa de um dono só, vivendo dentro de suas próprias fronteiras com pouco ou nenhum acesso da mídia e dos analistas internacionais para uma mudança radical, programada de expansão intenacional, ainda com a mesma obscuridade de informações mas com semblante de buscar uma abertura maior para o mundo exterior. Uma abertura apenas aparente, sendo demonstrada apenas na expansão dos investimentos intrenacionais através do fundo soberano do país e de inciativas de expansção de mercados compradores de seus produtos. Ainda um país gerido como se fosse uma empresa de um único dono, com funcionários exercendo com perfeição a estratégia traçada pela direção da empresa. Os produtos chineses, invadiram o mundo, estão destruindo segmentos inteiros de economias menos competitivas, com preços tão mais baixos que quebram em cascata empresas que historicamente estavam produzindo e gerando empregos em outros países.A China saiu de décima-quinta economia no ranking mundial para assumir a segunda posição num período de dez anos. Só tem a economia americana pela frente e irá conseguir suplantá-la em mais dois anos no máximo. Como isto ocorreu? Com a determinação de quem tem um projeto e os meios para fazê-lo. Pelas leis econômicas clássicas, dos grandes economistas Adam Smith e David Ricardo podemos tirar a explicação óbvia da vantagem comparativa que a China tem pela abundância de mão de obra barata que o país tem. Por outro lado, podemos tirar da economia moderna os erros que cometemos no ocidente por temos governos ineficientes, com estruturas inchadas e com gastos banais que levaram ao esquecimento a própria função de um governo, que é de zelar e cuidar do bem-estar do seu povo, que como sistema democrático, o governo deve emanar do povo para governar para o povo. Um erro de personalidade da função democrática, que caiu no esquecimento da sua esseência e os governantes democráticos do ocidente se veem como celebridades de famílias reais. Isso é posto prática através da imensa quantidade de impostos que pagamos para manter e sustentar essa gorda máquina governamental. A China é governada como se fosse uma empresa e o Ocidente governado como se fosse um feudo.O mundo atual está bem diferente do que imaginávamos há 20 ou trinta anos. Não existem carros voando, nem extra-terrestres invadindo nosso planeta e nem colônias habitadas em Marte. Temos sim, um mundo em mudança profunda, com um grande e bem adminstrado país buscando a supremacia mundial, com produção barata, com mão de obra abundante e barata, sem restrições em copiar o que os outros fazem, sem preocupações com leis de patentes de outros países, sem preocupações com qualquer outra coisa a não ser manter alimentado e ocupado um povo de mais de 1,4 bilhões de pessoas que começa a ter seu espaço físico restrito pelo próprio tamanho da população e da limitação de território.Do outro lado do planeta, temos um grande número de nações perdida sem seus pensamentos filosóficos e de busca de identidade, implementando políticas antiquadas de governo, com altos impostos, ineficiências administrativas e falta de líderes erepletas de burocratas incompetentes que discutem o sexo dos anjos e estrangulam suas economias com altos impostos, roubando do seu próprio povo a oportunidade de nos tornarmos competitivos também e não precisarmos temer este crescimento da China. Apenas lembrando que ainda, no caso do Brasil, nós temos tudo o que a China tem mas, com uma vantage, nós temos as matérias-primas que eles não têm.A China está expandindo para for a de suas fronteiras, não somente dominando o comércio internacional, acumulando reservas e riquezas, mas também está comprando empresas no ocidente e mais importante do que isso, eles estão comprando terras, na África e no Brasil, junto com a compra estão vindo vários chineses. Vamos aprender logo a nos organizarmos, senão, em breve nossas crianças terão que aprender Mandarim na escola, não mais o Inglês. Negócio da China? É melhor refletirmos o que isso significa de fato, antes que seja tarde. Não sabemos quais são os planos desta empresa chamada China, mas, para mim, parece um famoso take over dos filmes sobre bolsas de valores de Hollywood, só que em escala global.
Ricardo Della Santina TorresEconomista, Gestor de fundo de investimentos, Consultor Financeiro, Professor e Escritor. É economista com especialização em mercados financeiros globais. Tem 25 anos de experiência em mercados internacionais, atuando como trader, estrategista e chefe de mesa de operações de bancos de investimento em São Paulo, Londres, Nova York e Paris. Iniciou sua carreira no Citibank (Crefisul) em São Paulo, trabalhou nas mesas de trading do Banespa em Londres e Nova York, foi diretor da área internacional do Banco BMG e General Manager do Banco BMG Grand Cayman, trabalhou nas mesas de trading do Société Générale em Paris e no Credit Agricole Indozuez em Paris e Londres.
Deixe seu comentário!