15 de janeiro de 2012

O Natal de 2012 do Ipad?

O Natal de 2012 do Ipad?

Este ainda não foi, mas no Natal de 2012, é bem provável.
Enquanto o mundo desenvolvido discute a influência das vendas por meio de dispositivos móveis na campanha de Natal deste ano, no Brasil mal os temos disponíveis.
Aqui as coisas são assim, escassas e conseqüentemente caras. Talvez sejamos uma nação de consumidores endinheirados, pagamos tudo muito caro e ainda temos que pedir por favor para comprá-las.
Se a classe média emergente sonhava com um automóvel asiático completo a preço baixo, frustrou-se novamente, pois o governo tratou de acabar com mais um dos nossos direitos de exercermos a livre escolha, ao aumentar absurdamente o IPI. Entretanto não contava com a reação da OMC (ufa, ainda bem!).
Tratem de tornar a nossa indústria mais competitiva por favor, ao invés de privar o consumidor de boas oportunidades de consumo. Quem já teve a oportunidade de dirigir um dos recém-lançados modelos asiáticos populares, sabe que este produto supera em tudo os similares nacionais e tem preço igual ou menor.
Se eles conseguem, nós também somos capazes – a diferença é o governo deles que decide diferente do nosso – o resto é igual. Elevar o IPI é uma prova de incompetência, uma vergonha comprovada pelas reações de Japão, Coréia do Sul, com apoio dos demais membros do OMC (“Japão e Coréia elevam o tom contra IPI de carro importado”. Valor Econômico, 8/11/11).
Enfim, se lá fora discute-se os impactos no varejo em relação `as novidades tecnológicas, por aqui esperamos e quem sabe no ano que vem, o consumidor brasileiro merecerá o mesmo tratamento, as mesmas oportunidades, as mesmas experiências de consumo que vemos em mercados mais avançados.
Nos EUA, o Natal de 2011 está sendo chamado de Natal do consumidor “mobile”. Neste ano, um número recorde de consumidores farão suas compras de final de ano por intermédio de seus smartphones e tablets.
Um estudo publicado pela IBM Coremetrics avalia que os varejistas terão que se adaptar a esta nova realidade a fim de não perderem negócios. Uma das diferenças é que se gastam quatro minutos em média enquanto se usa um dispositivo móvel contra mais de sete quando se navega por um pc, ou seja, o consumidor “mobile” tem uma expectativa de concluir mais rapidamente suas consultas e decidir a compra.
As vendas realizadas pelos dispositivos móveis neste Natal deverão crescer cerca de 15% contra 4,5% no ano passado. No varejo tradicional, a expectativa é de apenas 2,8% de crescimento, segundo a federação americana de varejo, a NRF.
Outra empresa de análise, a Flurry especializada em dados gerados a partir de dispositivos móveis, afirma que o consumidor norte-americano gasta cerca de 81 minutos por dia navegando em seus smartphones e tablets. Naquele mercado existem aproximadamente 82 milhões de consumidores com 13 anos de idade ou mais que navegam em seus “mobiles”, número que superou todas as expectativas e deve dobrar até 2015, diz a empresa.
Embora generalizemos os dispositivos móveis, quando o fenômeno tablet é isolado, os números se tornam mais surpreendentes. Estudo da Ipsos afirma que o uso de tablets aumenta a freqüência da navegação em sites de e-commerce e que seus usuários compram o dobro que usuários de smartphones, portanto tais equipamentos surgem como uma porta de entrada a mais para as lojas dos varejistas, por onde chegam milhares de novos consumidores prontos para comprar. Vai perder essa oportunidade?
No Brasil, temos cerca de 19 milhões de smartphones segundo dados da Ipsos em estudo realizado pela WMcCann e Grupo.Mobi ou seja, 30% dos internautas. Ao contrário do que acontece nos EUA, “apenas uma pequena parte dos maiores varejistas do Brasil têm sites preparados para o ambiente móvel”, diz o estudo, embora já haja uma quantidade respeitável de internautas que utilizam smartphones.
No Brasil os números referentes aos tablets ainda são modestos embora saiba-se que muitos usuários adquiriram seus equipamentos fora do pais. Estudo da consultoria IDC, as vendas de tablets no Brasil devem atingir um número próximo a 500 mil unidades. Segundo a GfK, uma das maiores empresas de pesquisa de mercado do mundo, existem no Brasil sete marcas disponíveis de tablets, porém, consideramos, a oferta ainda é restrita se considerarmos presença no ponto-de-venda, preço dos produtos e dos pacotes de navegação.
Até março deste ano, mais de 15 milhões de Ipads haviam sido vendidos nos EUA. Esse número deve representar 83% de todo o mercado de tablets até o final deste ano. Se conseguirmos viabilizar a fabricação do Ipad no Brasil, como se espera, a relação com os demais poderá ser próxima do que se verifica em seu pais de origem e facilitará o acesso `a novas experiências de consumo, pois os produtos da Apple são os de mais fácil usabilidade e, conseqüentemente, facilitam as compras em sites e aplicativos desenvolvidos para dispositivos móveis.
Pretendemos com esses dados, estimular os varejistas nacionais a prepararem-se para a explosão de novos consumidores que teremos disponíveis a partir do próximo ano, `a medida em que crescem os usuários de smartphones. Quanto aos tablets, esse argumento ganha ainda mais força devido ao comportamento dos consumidores quando de posse deste tipo de equipamento:
tornam-se mais propensos ao consumo, dadas as facilidades de acesso a informações e contato ou experiências com lojas, marcas e produtos.
Embora o cenário ainda conte com incertezas quanto a vinda de fabricantes e condições de comercialização com o consumidor, as vendas do Natal de 2012 sofrerão  grande influência das decisões tomadas por consumidores de posse de seus equipamentos móveis.
De nossa parte cabe fazermos a lição de casa para recebermos muito bem os nossos clientes que chegarão pela porta da mobilidade. Até breve!

Ricardo Pastore tem 30 anos de experiência em varejo, sendo 20 como profissional e executivo de grandes empresas varejista e os último 20 em consultoria e atividade acadêmica. Coordenador do Núcleo de Estudos do Varejo da ESPM, professor em cursos de pósgraduação, MBA e em programas In Company em instituições como ESPM, PUC Cogeae e FDC. Mestre em Gestão de Negócios pela Católica de Santos, Economista pela PUC – SP com Pós-Graduação em Marketing pela ESPM.');

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