Nos últimos anos o mercado vem se tornando cada vez mais competitivo. Com a globalização, a concorrência deixou de ser regional para ser global, e para sobreviver, as empresas tiveram que rever o seu modelo de gestão. Teve-se que se investir na melhoria da qualidade dos produtos e serviços, reduzir custos, tornar os processos fabris mais flexíveis e ágeis, investir na qualificação dos profissionais e assim por diante. Diversas metodologias de melhoria foram criadas para suportar essas necessidades. Como exemplos citam-se os programas de Qualidade Total, o “Seis-Sigma” e o “Lean Manufacturing” que utilizam diversas ferramentas que realmente tornaram as empresas muito mais competitivas, com custos de produção e produto mais baixos e muito mais flexíveis, de modo a atender melhor a demanda dos clientes e consumidores. Empresas que investiram nesses programas estão conseguindo sobreviver e competir no mercado global. Mas todo esse esforço tem um limite. As margens de lucro estão se tornando cada vez menores e o esforço e o investimento necessários para dar continuidade a esse trabalho está se tornando cada vez maior. As idéias de melhoria de qualidade e redução de custo estão começando a diminuir, os processos estão se tornando cada vez mais enxutos e a redução de custo dos produtos está chegando ao limite para que a qualidade não seja afetada. O que fazer, então, para sobreviver neste mercado que está cada vez mais competitivo?
Quando se chega a esse limite diz-se que o ciclo de vida chegou ao seu final. É preciso então que um novo produto venha a substituir o anterior de modo a se criar um novo ciclo e permanecer no mercado por mais alguns anos. Desenvolver novos produtos não é uma tarefa fácil, principalmente quando se fala em produtos inovadores. As grandes idéias não nascem ao acaso. É fundamental que se tenha um processo estruturado e contínuo de geração de idéias. É por esse motivo que a gestão da inovação é tão importante na estratégia das empresas, além de ser o caminho a seguir para sua sobrevivência.
Para entender melhor sobre gestão da inovação, primeiramente é importante saber o significado de inovação. A palavra inovação vem do latim in-novare e significa o ato de tornar novo. Inovar significa criar algo novo ou ainda aplicar idéias já conhecidas, mas de uma nova forma. Mas será que tudo que é novo pode ser considerado como inovação? De acordo com a definição mais aceita pelas empresas, nem sempre isso é verdade. A condição sine qua non da inovação é o sucesso comercial. Não existe inovação sem que haja um retorno financeiro associado. Se não existir sucesso comercial não é inovação, mas sim invenção. Muitas vezes se associa inovação com desenvolvimento tecnológico. É por isso que normalmente as áreas de inovação se iniciam dentro das áreas de pesquisa e desenvolvimento, conhecidas como P&D. Como conseqüência, essas áreas incorporaram a letra I de inovação e passaram a se chamar P,D&I. Porém, a inovação não necessariamente está associada à tecnologia. Em muitos casos, idéias simples, porém criativas, tornaram-se grandes inovações e inovar deixou de ser privilégio de empresas de alta tecnologia e passou a incorporar empresas de diversas áreas e diversos tamanhos.
E como fazer, então, para tornar minha empresa inovadora? A resposta a essa pergunta é bastante complexa, porém a boa notícia é que existem metodologias para implantar um sistema de gestão de inovação em qualquer empresa e torná-la cada vez mais capacitada para gerar inovações. Independente da metodologia utilizada, para implantar um sistema de gestão da inovação, alguns passos básicos devem ser seguidos. A primeira etapa consiste no diagnóstico da empresa a respeito de sua capacidade de inovar. Nesta etapa deve ser analisada a cultura da empresa, sua estrutura organizacional, seus pontos fortes e suas necessidades de melhoria. Nesta etapa é importante que se entenda como a empresa quer inovar, se é no produto, no processo, na prestação de serviço, na gestão ou em tudo. Uma vez que se conhece melhor a empresa, o passo seguinte é definir as pessoas que irão gerenciar e conduzir o processo de inovação. Essas pessoas devem estar motivadas, comprometidas e ter acesso direto aos tomadores de decisão, pois do contrário os resultados não irão aparecer. É preciso, também, qualificá-las de tal modo que no futuro elas sejam os facilitadores do processo. O passo seguinte é trabalhar no plano estratégico. É nesse momento que se define o que será considerado como inovação, como será o processo de geração e priorização de idéias, se existe ou não a necessidade de parcerias externas, quais ferramentas de inovação serão utilizadas e assim por diante. O plano de inovação deve estar alinhado com o plano estratégico da empresa. É nessa fase que os recursos necessários devem ser definidos, tendo-se sempre em mente que inovação é um investimento a longo prazo. Em seguida, os projetos de inovação devem ser desenvolvidos de acordo com metas de custo, prazo e qualidade e com os recursos necessários, como qualquer outro projeto da empresa. Nesse momento cabe a ressalva que quando se desenvolve um projeto de inovação, o risco de sucesso é alto. Nem sempre os projetos chegam ao resultado esperado. É comum que uma empresa tenha vários insucessos antes de ter um produto inovador. E por último, mas não menos importante, é necessário que os indicadores de inovação sejam definidos de modo a avaliar os resultados da implantação do sistema inovação. Na realidade é necessária a criação de métricas e metas de inovação. Essa é uma tarefa bastante difícil e complexa, porém é preciso que sejam bem definidas. Quanto mais objetivas forem, mais clara será a avaliação dos resultados. Reforçando o que já foi dito anteriormente sobre resultados a médio e longo prazo, muitas vezes os primeiros resultados só começam a acontecer alguns anos após sua implantação.
Para concluir, é importante frisar que inovação é o grande diferencial para que uma empresa cresça e se torne líder. Qualidade e custo são fundamentais, mas a inovação é o caminho que irá levá-la a patamares superiores. Para o sucesso da inovação é necessário a implantação de um processo estruturado, que normalmente é bastante complexo e longo, além de envolver uma mudança de cultura dentro de toda a empresa, pois uma área isoladamente não poderá “virar o jogo”. É preciso que a mentalidade da inovação esteja incorporada a todos que trabalham dentro da organização, pois boas idéias podem e devem vir de qualquer membro do grupo. O comprometimento da alta direção também é fundamental. O sucesso de uma área de inovação começa pelo Presidente da empresa. Ele deve ser o patrocinador de todo o processo, pois do contrário os recursos serão desviados para as atividades de redução de custo, de melhoria de qualidade e para os projetos de curto prazo. Inovação tem um risco alto, porém o risco é maior ainda se não inovar.
* Fernando Luiz Freitas Filho é mestre em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com aperfeiçoamento na Universität GH Essen, na Alemanha e pós-graduado em Gestão Empresarial pela FGV. Trabalhou por mais de 13 anos na Whirlpool – Unidade de Eletrodomésticos, sendo nos últimos 5 anos Mentor de Inovação e Líder da área de Desenvolvimento de Tecnologia e Inovação.
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