29 de agosto de 2011

índice de Confiança Empresarial Sustentare – ICES

índice de Confiança Empresarial Sustentare – ICES

Ricardo Della Santina Torres é economista, professor da Sustentare e coordenador do ICES

Os resultados do ICES foram bastante positivos, com o índice bem acima do nível médio de 50. Isto denota um excelente nível de confiança do empresariado em relação às expectativas do próprio negócio, bem como, uma grande confiança na economia Brasileira para o ano de 2011. Com relação ao primeiro trimestre, o ICES apresentou um recuo de 1,17 pontos, caindo de 55,31 no primeiro trimestre para 54,14 no ICES do segundo trimestre. Da mesma forma, na individualização dos indicadores, podemos identificar os focos de preocupações. Apesar de termos obtido uma representatividade considerável de expectativas positivas em relação à economia brasileira e ao próprio desempenho de suas empresas, existe uma preocupação acentuada em relação ao desempenho da economia internacional e ao impacto que isto pode causar na nossa economia. A grande maioria dos respondentes manifestou que a maior competitividade e concorrência de empresas nacionais é um fator que pode alterar o próprio crescimento. Ao passo que a economia brasileira é consenso para boas expectativas, a economia internacional é um ponto onde a maioria dos empresários tem dúvidas. Estes fatores podem reduzir a probabilidade de altas nas exportações, sendo que, o empresariado local tem grandes expectativas de aumento nas vendas para o mercado doméstico. Do total de respondentes, 2,4% atuam somente no mercado internacional, 19,0% com grande parte no mercado nacional e 78,6% atuam somente no  mercado nacional. O panorama econômico internacional apresenta um quadro bastante preocupante, onde as incertezas dos resultados dos eventos podem deteriorar o crescimento econômico global por alguns anos. Os dois grandes focos de concentração de dúvidas são encontrados nos dois maiores continentes em termos econômicos, de produto interno bruto e de históricos portos seguros, que são a Europa e os Estados Unidos. A iminência de um primeiro default dentro da zona do Euro está causando preocupações fortes, de como será controlado, para que não afete o resto dos países que pertencem a União Européia e que não afete a estabilidade da moeda única da região. Do outro lado do Atlântico, a economia americana, carro-chefe da economia mundial, ainda não se recuperou da forte crise ocorrida em 2008. O grave problema de liquidez do sistema financeiro americano foi transferido do setor privado para o setor público, través dos inúmeros planos de resgate efetuados pelo governo do país. O questionamento atual apresentado é que a economia não está crescendo e, simultaneamente, não gera os insumos essenciais para a manutenção das contas públicas através das arrecadações dos impostos de uma economia pujante de outrora. Os efeitos destes eventos preocupantes jogam um enorme grau de incerteza nos mercados globais e será sentido por todos no planeta. No Brasil, que apresenta uma economia com grande grau de estabilidade e crescimento, com seu sistema financeiro bastante equilibrado e saudável, com o país apresentando sólidos resultados nas contas macro-econômicas, poderemos também sentir este efeito de reajustes globais nas economias dos países desenvolvidos.  A inflação, como foco de preocupação dos respondentes do ICES, é de fato um fator que deverá aumentar, forçando a política monetária dos juros altos por períodos mais prolongados. Este fator poderá causar uma desaceleração no crescimento e nos resultados das empresas neste período.O Índice de Confiança Empresarial Sustentare (ICES) tem como objetivo obter uma idéia geral sobre as condições econômicas das empresas e é um sistema de alarme de curto prazo para previsão de tendências. Na formatação do questionário, objetivamos obter indicadores em cinco temas importantes para construção do Índice, que são as condições financeiras e lucratividade, as condições e níveis de investimento, as condições relativas ao nível de emprego, os custos da atividade e as condições e níveis das vendas no Mercado Nacional e Internacional. É um instrumento para análise econômica e é fundamental como guia das decisões de políticas econômicas a serem implementadas. O índice é construído a partir da utilização das percepções dos agentes empresariais da região de Joinville, sobre as condições econômicas passadas e presentes que afetam seus negócios e, sobre as expectativas das condições econômicas para o futuro.O processo de decisão de políticas e estratégias de atuação dos setores público e privado, é beneficiado pelo uso destes indicadores. A inserção deste índice no contexto econômico de Joinville irá promover o crescimento direcionado da cidade e da região. A informação mais elaborada sobre os setores individualizados irá proporcionar aos agentes empresariais e ao setor público, ferramentas preciosas para as estratégias e planejamentos que visam a condução ao crescimento sustentado.

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