A composição de umaequipe de assessoria, tanto para a iniciativa privada quanto órgãopúblico, é de grande importância. E para o setor governamental éde fundamental relevância, principalmente quando no cargo públicoestá um político que não tem conhecimento de assuntosinternacionais.
Durante o encontro doGrupo dos 20 (G-20) Financeiro em Londres, esperava-se que estareunião fosse de fechamento das negociações anteriormente feitas.Contudo, antes do início da reunião, alguns assessores do governobrasileiro perceberam que muitos dos temas acordados haviam sidoalterados. Diante de tal situação o presidente Luiz Inácio Lula daSilva foi alertado de tal fato.
Com a experiência denegociação sindical, Lula não se intimidou e cobrou, diante devários outros presidentes, tal procedimento. Mesmo que não se tenhaconseguido mudar a estrutura financeira internacional como o nossopresidente vem dizendo, em boa parte ele conseguiu que não fosseaprovado um comunicado que pudesse ser prejudicial aos objetivosbrasileiros em ser um ato importante no sistema internacional.
Em outro evento maisrecente, tivemos a demonstração oposta de como uma assessoria maldada pode comprometer a imagem da liderança política, ou mesmo deum país.
Muito foi dito sobre oprimeiro encontro político dos BRIC, grupo composto por Brasil,Rússia, Índia e China. Esta sigla foi criada no início da décadade 1990 por um analista do banco de investimento americano GoldmanSachs, que previa que estes países seriam parte das grandeseconomias mundiais até o ano de 2037, a frente de Alemanha, Canadá,França, Inglaterra e Itália que hoje formam o G-7 juntamente comEstados Unidos e Japão.
Esta reunião foicriticada por muitos analistas porque não se conseguiria fazer comque governos com realidades e objetivos tão divergentes passassem acoordenar suas políticas externas. Apesar de realmente serem muitodiferentes em relação aos seus sistemas políticos e econômicos,há um objetivo comum, o de mudar a estrutura de decisão mundialcentrada nos países do G-7. Portanto, tem que haver um primeiropasso para essa cooperação.
Após o encontro emEcaterimburgo, o presidente brasileiro esteve no Cazaquistão, e foijustamente lá que tivemos o exemplo oposto de uma boa assessoria.
Enquanto Lula erarecebido e homenageado pelo governo cazaque, saiu o resultado daseleições iranianas com a recondução do presidente MahmoudAhmadinejad, seguido dos protestos da oposição. Neste momento,seguindo orientação de sua assessoria, veio a famosa frase de Lulade que as demonstrações que ocorriam nas ruas de Teerã eram coisada oposição que perdera a eleição, finalizando que era coisa deflamenguistas e vascaínos.
Apesar de parecer umadeclaração superficial e de pouca importância, há sériasrepercussões em relação ao posicionamento brasileiro. Primeiro, seo Itamaraty está buscando uma aproximação com os países árabes,uma aceitação explícita a favor do atual presidente iraniano podeafetar esta estratégia, tendo em vista que há uma tensão crescenteentre árabes que são sunitas e iranianos que são xiitas da antigaPérsia.
Outro ponto quecompromete o Brasil com esse apoio explícito à atual liderançairaniana é em relação aos valores democráticos. Mesmo quetenhamos que respeitar a soberania de todos os países, um líderpolítico que lutou pela volta da democracia no Brasil e pelosdireitos fundamentais das pessoas, não pode aceitar que seja normala repressão a manifestações pacificas. Esta postura pode ser muitomal vista pelas sociedades dos países desenvolvidos que são nossosparceiros econômicos e que, soberanamente, passem a boicotar nossosprodutos, sem que o Itamaraty possa interferir.
Definitivamente, opresidente Lula deve tomar muito cuidado ao ouvir os palpites dealguns de seus assessores, pois se ficar dando opiniões divergentesacaba passando mensagens contraditórias ao mundo. Ou pior ainda,pode fazer com que a imagem do Brasil seja confundida com governosrepressivos.
GuntherRudzit é Doutor em Ciência Política pela USP e professor daSustentare Escola de Negócios.
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