Recentemente, foi publicada a notícia de que a rede especializada em chocolates Kopenhagen, com 226 lojas espalhadas pelo mundo, vai relançar sua linha de sorvetes. Na sua primeira tentativa, em 2001, não teve muito sucesso, entre outros fatores, por conta do racionamento de energia elétrica inviabilizando a aquisição e uso das geladeiras.
Dessa vez, a empresa trabalhará com atenção redobrada. Na época, o sorvete era oferecido para consumo na própria loja da rede ou levado para casa em embalagens grandes. Entretanto, identificaram posteriormente que, além de ocupar muito espaço na loja, as embalagens de sorvete de massa devem ser levadas para casa imediatamente após a compra. E na grande maioria das vezes, o consumidor que passa pelas lojas não está indo para casa nem preparado para fazer compras. Esse levantamento fez a empresa ajustar seus produtos e passar a oferecer o sorvete em potinhos individuais.
Outro problema que demorou a ser solucionado foi o da empresa italiana Ferrero, com o bombom Ferrero Rocher. Como o principal canal de venda eram bancas de jornal, no verão o produto não resistia ao calor brasileiro, sendo obrigado a sair do mercado por meses e só retornando no outono. Essa prática funcionou por anos, até que conseguiram desenvolver com seus fornecedores um refrigerador que mantivesse as características do produto independente do clima. Hoje, a fabricante de chocolates possui pequenas geladeiras instaladas nas principais bancas de revistas.
E a norte-americana KFC? Veio ao Brasil por duas vezes em São Paulo, sendo que na segunda oportunidade, na década de 90, encontrou dois grandes obstáculos. O primeiro foi a procura da população por uma alimentação mais saudável – você comeria numa loja que tem fritura até no nome? Estavam em transição da marca Kentucky Fried Chicken para KFC. O segundo foi uma falha de ajuste cultural, oferecendo pedaços grandes e saborosos de frango frito, mas para comer com a mão! O brasileiro não se adaptou.
Acha que desistiram? Negativo. Na virada da década – e do século – vieram novamente ao Brasil, agora desembarcados no Rio de Janeiro, e com uma proposta mais ajustada. Oferecem talheres e opções mais saudáveis no cardápio, como a refeição Grill KFC, com filé de peito de frango grelhado e três acompanhamentos. O menu faz parte da Campanha “Better For you” (Melhor Para Você), que tem o objetivo de levar alimentação mais saudável aos clientes. E mais ainda: estão se esforçando para fazer parte do cenário carioca, vinculando alguns de seus lanches a pontos turísticos e à cultura do Rio.
Acredito que podemos tirar boas lições dos casos acima. A primeira delas é que não podemos controlar o mercado, mas apenas conhecê-lo muito bem. E mesmo assim sem garantia integral de sucesso.
Insistir no erro custa caro! Quanto mais rápido pararmos de errar, melhor. Mesmo chegando ao extremo de ter que encerrar as operações num ponto-de-venda.
Outra lição é que boas idéias podem e devem ser readequadas para uma segunda chance. Quanto melhor preparado estiver, menor a chance de errar, independente se estiver na primeira, segunda ou mesmo na terceira vez.
Aprender com o erro dos outros é sempre mais barato e menos dolorido, tanto no bolso quanto na autoestima do empresário, independente do tamanho da sua empresa.
E por falar em tamanho, talvez a lição mais importante seja estar constantemente atualizado com as movimentações do mercado e seguir seus ideais e instintos, mesmo sabendo que ainda assim estará sujeito a falhas ou correções de rotas. Afinal, se os grandes erram tanto, por que os pequenos não podem errar de vez em quando?
* Alessandro Saade é consultor Internacional, professor e diretor da MERCATUS - Educação em Negócios e professor da Sustentare Escola de Negócios.
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